O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instituiu, neste mês de março, a Comissão da Mulher Médica, um espaço permanente de escuta, diálogo e proposição de ações voltadas às médicas no estado. A criação foi aprovada por unanimidade durante a 7ª Sessão Plenária Administrativa da autarquia, realizada no dia 10 de março de 2026.
A comissão nasce com o objetivo de discutir os desafios enfrentados pelas médicas ao longo da formação e do exercício profissional, além de contribuir para reflexões sobre equidade de gênero, ampliação da participação feminina em espaços de decisão e fortalecimento de ações institucionais pautadas no respeito, na ética e na valorização da mulher médica.
A Comissão da Mulher Médica do CRM-MT é presidida pela conselheira Maria Luisa Trabachin Gimenes e composta pelas médicas Mirella de Figueiredo Abreu Prado, Elaine Patricia Souza Silva, Renata Machado Barbosa Lima de Miranda, Antônia Carlos Magalhães Novais e Michele Coutinho Neto.
De acordo com a presidente da comissão, a iniciativa representa um avanço importante dentro do Conselho.
“A criação da Comissão da Mulher Médica é um passo fundamental para garantir um espaço permanente de escuta e construção coletiva. Queremos trazer à tona os desafios vividos pelas médicas, propor reflexões sobre equidade e ampliar a participação feminina nos espaços de decisão. Nosso objetivo é contribuir para uma medicina mais justa, respeitosa e representativa da realidade atual da profissão”, destacou.
Entre as frentes de atuação da comissão estão a promoção de debates, a proposição de ações educativas, o incentivo à discussão sobre liderança feminina e segurança no ambiente de trabalho, além do fortalecimento da presença das médicas nas pautas institucionais do CRM-MT.
Um dos pontos prioritários será a atuação com base na Resolução CFM nº 2.444/2025, que trata das medidas de prevenção e enfrentamento da violência contra médicos no ambiente de trabalho. A comissão pretende aprofundar esse debate, considerando que as mulheres médicas estão entre as principais vítimas de situações de violência, constrangimento e desrespeito no exercício profissional.
Para receber denúncias de médicas o Conselho criou o e-mail canaldamedica@crmmt.org.br, voltado para receber relatos de profissionais e sugestões.
A iniciativa do CRM-MT acompanha um movimento já consolidado em outros regionais e no Conselho Federal de Medicina (CFM). No Paraná, por exemplo, o CRM-PR mantém uma comissão semelhante, responsável por desenvolver campanhas e ações voltadas à valorização da mulher médica e ao enfrentamento da violência.
No âmbito nacional, o CFM também possui uma Comissão da Mulher Médica e vem promovendo discussões relevantes sobre o tema, como o Fórum da Mulher Médica, que em sua segunda edição, realizada em março de 2026, abordou o protagonismo feminino na medicina, liderança, condições de trabalho, saúde mental e enfrentamento à violência.
Dados recentes do próprio CFM reforçam a importância da pauta: entre os médicos mais jovens, as mulheres já são maioria, representando 57,4% até os 29 anos e 53,7% na faixa de 30 a 34 anos, evidenciando uma mudança significativa no perfil da profissão.