CRM Virtual

Conselho Regional de Medicina

Acesse agora

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta cerca de dois milhões de brasileiros, segundo estimativas do IBGE e da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE). Globalmente, uma em cada 36 crianças recebe o diagnóstico, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, 2023). Nos últimos seis anos, as matrículas de alunos com autismo em classes regulares cresceram 580%, passando de 89 mil em 2017 para 607 mil em 2023. O aumento expressivo revela avanços na inclusão, mas também desafios relacionados ao diagnóstico precoce e ao suporte às famílias.

A neuropediatra Viviane Quixabeira destaca a importância da atenção aos primeiros sinais do transtorno. “A criança pode evitar contato visual, não responder ao ser chamada pelo nome e demonstrar pouco interesse em interações sociais”, explica. Dificuldades na fala, uso restrito de gestos e repetição de palavras fora de contexto (ecolalia) também são sinais de alerta. Além disso, comportamentos como movimentos repetitivos, resistência a mudanças e interesses restritos demandam atenção especializada.

O diagnóstico é feito com base nos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e pode contar com escalas padronizadas, como o M-CHAT-R (triagem precoce) e o ADOS-2 (avaliação comportamental detalhada). “A identificação precoce é fundamental para intervenções que melhoram significativamente a comunicação, a interação social e a autonomia”, reforça a especialista. Estudos indicam que a intervenção antes dos três anos potencializa o desenvolvimento de habilidades.

Para além das questões médicas, o impacto emocional do diagnóstico é um desafio para as famílias. “Pais e cuidadores passam por um turbilhão de emoções, da culpa ao medo, enquanto tentam garantir os direitos da criança”, relata a psicóloga Laís Taques. Segundo ela, sem apoio adequado, muitos desenvolvem depressão, burnout e, em casos extremos, chegam a cogitar o suicídio.

A psicoterapia desempenha um papel essencial tanto para a criança quanto para a família. “No atendimento infantil, trabalhamos a regulação emocional e as habilidades sociais. Para os pais, a terapia auxilia na elaboração do luto do diagnóstico e no aprendizado de estratégias para lidar com desafios diários”, explica a psicóloga.

Na educação, a inclusão vai além da presença na sala de aula. “O aprendizado só ocorre com professores preparados, rotinas visuais estruturadas, ambientes sensoriais adequados e, quando necessário, suporte especializado”, ressalta Taques. Estudos apontam que escolas que adotam essas medidas reduzem significativamente a evasão de alunos autistas e promovem ambientes mais acolhedores.

Para Kelly Oliveira e seu filho João Gabriel, 15 anos, a inclusão foi um aprendizado contínuo. O diagnóstico aos três anos trouxe respostas, mas também desafios. “Aprendi que forçar só piorava. Precisava respeitar seu tempo”, conta. Enfrentou dificuldades na escola e o julgamento alheio, mas encontrou na informação uma aliada. Hoje, João Gabriel se comunica bem, tem grande facilidade com o inglês e ampliou sua interação social. Superou, inclusive, a seletividade alimentar, criando um código com a mãe: quando algo não agrada, ele diz que “pifou”.

O conhecimento sobre o TEA e o suporte adequado transformaram a relação entre Kelly e João. “Deixei de tentar moldá-lo e passei a entrar no mundo dele”, relata. O acompanhamento especializado ajudou o filho a lidar com o pensamento acelerado e trouxe mais tranquilidade ao convívio.

Histórias como essa ressaltam a importância da conscientização sobre o TEA, cuja campanha ganha força no dia 2 de abril, data oficializada pela ONU como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. No Brasil, monumentos como o Cristo Redentor são iluminados para marcar a data. Em 2025, o tema reforça a importância do acolhimento: “Informação gera empatia, empatia gera respeito”.

Aviso de Privacidade
Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar o Portal Médico, você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse Política de cookies. Se você concorda, clique em ACEITO.